Curiosidades

Roteiro da FEB na Itália

No dia 16 de julho de 1944, cerca de 5 mil homens do primeiro escalão da FEB desembarcaram na Itália.

No dia 15 de setembro de 1944, a FEB assume sua posição na frente de batalha perto da foz do Rio Serchio, na Toscana. A primeira cidade conquistada é Massarosa. Na sequência, os brasileiros tomam Camaiore e Monte Prano.

No final de setembro, os brasileiros conquistam a localidade. O avanço vai até Barga (11 de outubro) e a região de Sommocolonia (dias 29 e 30), onde surpreendem o inimigo, que contra-ataca no dia seguinte e reconquista parte do território.

No mês de novembro, a tropa vai para Porreta Terme, nos Apeninos, se posicionando frente às fortificações alemãs da Linha Gótica (uma das últimas grandes defesas realizadas pelas forças nazistas, com o intuito de bloquear o avanço dos aliados na Itália), que ficava no caminho até Bolonha. Entre dezembro de 1944 e fevereiro de 1945, são feitos 5 ataques a Monte Castelo. No dia 21 de fevereiro, ele é conquistado. No mês seguinte é a vez de Castelnuovo.

No dia 14 de abril de 1945, a FEB toma Montese no mais sangrento combate enfrentado pela tropa na Itália. Os alemães contra-atacam sem sucesso.

No dia 22 de abril, a FEB usa os caminhões de artilharia para transportar sua infantaria, que perseguia os alemães que iniciavam sua retirada. Foi travada uma luta em Zocca.

A FEB combate em Collecchio e ruma em direção a Fornovo di Taro para interromper a retirada inimiga, que vinha de La Spezia. Cercados, 14 mil soldados alemães se rendem entre 29 e 30 de maio.

No dia 2 de junho, as tropas brasileiras entram em Turim e chegam à cidade de Susa, a 3 Km da fronteira francesa, onde faz contato com o exército daquele país. É o fim da guerra na Itália.

Pracinhas criaram músicas baseadas nas vivências da guerra

No período em que defenderam a Força Expedicionária Brasileira, os soldados brasileiros vivenciaram muitas histórias. Algumas delas estão interpretadas em músicas compostas pelos próprios pracinhas enquanto descansavam na retaguarda. As letras tratam de diversos temas, como a saudade da terra natal, os desafios impostos pelos alemães e até mesmo algumas piadas com as situações que enfrentavam.

Algumas dessas músicas foram gravadas pelo correspondente de guerra da BBC (emissora pública de rádio e televisão do Reino Unido) Francis Haloweel, chamado pelos brasileiros de “o Chico da BBC”. As gravações ocorreram no show “Só pena que voa”, realizado no Clube dos Praças da FEB pouco depois do término da guerra, enquanto a tropa aguardava o embarque para o Brasil. Confira algumas das mais conhecidas:


Autor: José Pereira dos Santos

“Portare via” significa “esconder-se, emboscar-se” em italiano. Já “andare via” é o mesmo que “ir embora”. A letra mostra que o pracinha brasileiro era avisado pelo povo italiano da presença dos alemães que se retiravam do local após o avanço da FEB.

Compositor: Malagueta

A música faz referência à vitória dos brasileiros sobre os alemães e ao lema da FEB. A autoria é incerta, sendo creditada a um integrante da FEB apelidado de “Malagueta”.

Compositor: Natalino Cândido da Silva

A música mostra a bravura dos brasileiros. Depois de quase um ano no front, os pracinhas incorporam palavras e expressões italianas a seu vocabulário cotidiano, como “tedesco” (alemão), “paura” (medo) e “andare via” (sair).

Compositor: Natalino Cândido da Silva

A composição do soldado Natalino Cândido da Silva conta, com bom humor, como os pracinhas conseguiram escapar das metralhadoras dos alemães (os tedescos). Na música, elas são chamadas de “lurdinhas”, forma como os brasileiros apelidaram essas armas após um soldado brincar que a velocidade delas era superior a da sua esposa (cujo nome era Lurdes) quando começava a falar.

Compositor: Pieri Junior

O soldado faz uma homenagem ao seu pelotão. O samba foi gravado pela BBC no acampamento do Regimento Sampaio, em Francolipi.

Compositor: 3º sgt. Roldão Alves Gutenberggento

A música faz referência à conquista de Monte Castelo. Segundo Francis Hallowel, o sargento Roldão compôs a música no início de março durante momento de parada na progressão das tropas brasileiras, dias depois da tomada do monte.


Walt Disney fez a cobra fumar

“É mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra”. Essa frase era comumente ouvida no país no início da década de 1940. Mas a história foi outra. O presidente Getúlio Vargas declarou guerra ao Eixo, fazendo a cobra fumar na farda dos pracinhas brasileiros. O símbolo da cobra foi adotado pelos próprios soldados, que criaram o distintivo que seria incorporado aos uniformes.

Mas um outro personagem ilustre resolveu fazer uma releitura: o desenhista e produtor de animações Walt Disney. A partir do símbolo original, Disney decidiu fazer uma homenagem aos brasileiros. A versão desenhada pelo artista americano foi publicada na edição de 22 de fevereiro de 1945 de O Globo Expedicionário, tabloide distribuído para os pracinhas na Itália. A ideia era mostrar a força dos brasileiros por meio de uma cobra com atitude beligerante.


Navio desenvolvido pela marinha americana homenageou Bauru

Patrulhamento, detecção e caça aos submarinos do Eixo. Essa era a função do contratorpedeiro USS McAnn (DE-179), cuja inauguração ocorreu em 15 de setembro de 1943 em New Jersey. Pouco mais de um ano depois, em agosto de 1944, ele foi transferido por empréstimo à Marinha do Brasil (foi doado definitivamente em 1953), que o batizou de Contratorpedeiro-Escolta Bauru, em homenagem à cidade paulista.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o CE Bauru fez parte de uma esquadra que revolucionou os conceitos de guerra naval no Brasil. Até então, os navios que compunham a Marinha brasileira utilizavam tecnologia da Primeira Grande Guerra. Entre os principais ganhos da nova esquadra estavam o sonar (instrumento para localizar objetos nos oceanos, como submarinos) e a inclusão de armamentos de ataques a submarinos.

O CE Bauru participou de comboios e efetuou missões de apoio no transporte de tropas e patrulhamento em zonas de guerra, além de escoltar navios mercantes. Ele operou durante quarenta anos, tempo em que navegou 295.405 milhas em 1.423 dias de mar.

Terminada a guerra, foi incorporado à Flotilha de Contratorpedeiros. Posteriormente, em 1964, seu armamento foi removido e passou a fazer parte do Esquadrão de Avisos Oceânicos. Nesta esquadra, recebeu missões de apoio aos faróis, treinamento de novos marinheiros e patrulha dos rios da Amazônia.

Após sofrer reformas de adaptação, foi aberto à visitação pública no ano de 1982 como navio-museu, exercendo essa função até os dias de hoje. Com 14 ambientes, o museu está atracado no Espaço Cultural da Marinha no Rio de Janeiro. Na mostra, existem armamentos, instalações e outros detalhes que retratam a vida a bordo dos marinheiros brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial.


Jornal carioca O Globo criou tabloide para os pracinhas brasileiros

O-Globo-Expedicionario-1O Globo Expedicionário foi um tabloide produzido e enviado para a Itália pelo grupo dos jornais O Globo. O objetivo era manter os pracinhas informados sobre o que acontecia no Brasil e sobre as vitórias dos Aliados contra as forças nazi-fascistas. O jornal circulou entre julho de 1944 e maio de 1945, sempre na direção e edição de Pedro Motta e Rogério Marinho.

Crédito: O Globo

Os pracinhas torciam para encontrar uma mensagem dos familiares e amigos nas páginas do jornal.

As notícias do futebol não poderiam faltar. A situação dos grandes clubes brasileiros também era pauta frequente do jornal.

Na edição do dia 22 de fevereiro de 1945, o tabloide trouxe uma gravura estilizada do lema da FEB (“A cobra está fumando”), elaborada e assinada por Walt Disney.

Walt Disney também participou de outras formas, como nas histórias em quadrinho do personagem Zé Carioca.

Os pracinhas se mantinham informados sobre os acontecimentos da guerra e também da política brasileira.

O Globo Expedicionário mostrava o apoio da população brasileira aos combatentes que foram para a Itália. Essa era uma forma de incentivar os soldados.

Os pracinhas se aglomeravam para ler o jornal. Uma das funções do tabloide era elevar o moral dos pracinhas com notícias sobre sua terra natal, além de trocar mensagens e cartas entre eles e seus familiares.


Edições do Jornal

1944

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1945

Clique sobre os Ícones para fazer o download.

Crédito: Acervo da Biblioteca Nacional

As personalidades que participaram da FEB

A FEB foi composta por pessoas de diversas camadas sociais. Alguns de seus integrantes, inclusive, desempenhariam importantes papéis na vida política, social e cultural brasileira.

Clarice LispectorA escritora Clarice Lispector atuou como voluntária junto ao corpo de enfermeiras da FEB. Clarice foi à Itália acompanhando o então marido, Maury Gurgel Valente, diplomata no Ministério das Relações Exteriores, que foi enviado a Roma no período.

Humberto de Alencar CastelloO primeiro presidente a assumir o Brasil após o golpe militar de 1964, Humberto de Alencar Castello Branco foi chefe de Seção de Planejamento e Operações da FEB. Ele foi importante no planejamento e implementação de manobras militares nos combates na Itália.

Golbery do Couto e SilvaO capitão Golbery do Couto e Silva era integrante do Serviço de Inteligência do Exército. Após a guerra, foi chefe da Casa Civil entre 1974 e 1981. Entre suas publicações está o livro “Geopolítica do Brasil”.

Octavio CostaOctavio Costa foi tenente de informações do 11º Regimento Infantaria. Depois da guerra, dedicou-se à área de ensino do Exército. Anos depois, durante o Regime Militar, foi assessor de comunicação do presidente Emílio Garrastazu Medici.

Boris SchnaidermanNascido na Ucrânia, Boris Schnaiderman mudou-se para o Brasil aos oito anos de idade. O escritor, tradutor e ensaísta naturalizou-se brasileiro em 1941. Aos 27 anos, foi sargento da artilharia brasileira na Itália. A experiência de lutar com a FEB foi base para o romance “Guerra em Surdina: histórias do Brasil na Segunda Guerra Mundial”.

Celso FurtadoUm dos principais intelectuais brasileiros do século XX, Celso Furtado terminava o bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) quando foi convocado pela FEB, em 1944. Após a guerra, continuou os estudos, tornando-se um dos maiores economistas brasileiros da história. Foi diretor da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), criador da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) e ministro do Planejamento no governo João Goulart.

PerácioJosé Perácio Berjun, mais conhecido como Perácio, foi jogador do Botafogo e do Flamengo durante as décadas de 1930 e 1940. O meio-campista também jogou pela Seleção Brasileira e participou da Copa do Mundo de 1938. Em 1944, lutou com a FEB na Itália. Após a Segunda Guerra Mundial, voltou a atuar pelo Flamengo.

GeninhoEfigênio de Freitas Bahiense, o Geninho, o mineiro chegou ao Rio de Janeiro para vestir a camisa do Botafogo em 1940. Ao desembarcar, imaginava que defender o clube seria sua grande missão. Quatro anos depois, porém, alistou-se para servir a FEB. Na volta, o jogador continuou no Botafogo.

Antônio Matogrosso PereiraO militar Antônio Matogrosso Pereira foi pai de cinco filhos, entre eles o cantor Ney Matogrosso. Antes de se tornar famoso, o filho também iniciou a carreira militar, atuando na Aeronáutica.

João Lavor Reis e SilvaJoão Lavor Reis e Silva era funcionário dos Correios quando foi convocado para integrar a FEB. O militar é pai do baterista João Barone, dos Paralamas do Sucesso. O filho, aliás, se tornou especialista no tema. Além de colecionar materiais da época (o que inclui medalhas, fardas e até mesmo um jipe), ele já lançou dois livros sobre o conflito: “1942: O Brasil e sua guerra quase desconhecida” e “A minha Segunda Guerra”.

PolyÂngelo Apolônio (utilizava o nome artístico Poli, também escrito como Poly) foi instrumentista e compositor. Poly era um dos principais nomes do rádio brasileiro nas décadas de 1930 e 1940. Ele interrompeu a carreira para integrar a FEB em 1944, ano em que gravou seu primeiro disco solo. Com o fim da guerra, retomou a carreira.

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